Cansaço hospitalar
embaçando os olhos
frágeis da menina
O branco inferno
queimando as retinas
A doença
construída nos dias
e noites
cerrada entre os
dentes.
O cu côncavo implorando
por esperma.
-Vida morta-
M.R.
Cansaço hospitalar
embaçando os olhos
frágeis da menina
O branco inferno
queimando as retinas
A doença
construída nos dias
e noites
cerrada entre os
dentes.
O cu côncavo implorando
por esperma.
-Vida morta-
M.R.
Cadelas sufocadas
pelas crinas dos cavalos
Cadelas que criam asma e tristeza
O tempo se foi
Em que a coluna do caos dançava e cantava baixinho:
“Enfie o dedo em meu cu
Cague em minha boca
Os dentes cariados dos cegos
lambuzaram a vagina da pequena sereia.
Com os cilícios
cravados no rim
Olho para a vida e acho-a bela
Com o seu cu colado em minha boca
Sua urina espalhada pelo meu corpo
Sua merda – manifestação absoluta da alegria.
M.R.
Vomitando canivetes cinzelados
Romãs aromatizadas de desgosto
Quarta lágrima invulnerável
O cavalo está extinto
A sombra projeta o sustentáculo da desgraça
Saudade de quando enfiava o nariz no seu anus e você o lambia.
M.R.
Ranço escondido nas
unhas que cravam no rosto
Pinga das mãos o
cansaço
Ninguém sofrerá por
um corpo resignado pela insegurança
À noite o sal marinho fustiga este rosto
Não sei quem caminha esses pés em sonhos
E quem se comove angustiado
Seremos sós, covardes e frágeis?
Observo os cavalos com os olhares sufocados e corações em ódio.
M.R.
Cansaço hospitalar embaçando os olhos frágeis da menina O branco inferno queimando as retinas A doença construída nos dias e noite...